segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Reflexões entre idas e vindas ao médico ...

Hospital DIA.. Localizado numa área afastada do grande centro, numa dessas BR's.. De inicio, me transmitiu mais segurança pela distancia e localização discreta do prédio. Sendo mais fácil afastar os fantasmas de ser visto por conhecidos adentrando ao tão recinto...

Imaginava sempre: - Ei Mutante h, fulano te viu indo lá no DIA...Ou então o boato já correndo solto...
Ou o medo de encontrar aquela "bee" conhecida que nunca fora com sua cara e que de birra resolvera fazer a "maldita marketeira" espalhando bem tal fato..

Essas salas de esperas de SUS muda-se de cidade somente, pois são iguais em tudo quanto é lugar. Adquiri uma constante curiosidade que me faz utilizar o ato de OBSERVAÇÃO... Fincando olhares aos que esperam atendimento como se buscando nas expressões de seus rostos, imaginar como fora a reação pós descoberta ao HIV? Como lidam? Quanto tempo já convivem com o tal "bichinho"...Se haviam sofrido situações de preconceitos..

O tédio da espera desata em mim um rio de infinitas recordações. Acho que ai reside a diferença das consultas médicas de quem é soropositivo. Pensando de tudo um pouco, resgatando imagens perdidas no tempo, rostos, detalhes...

Um momento propicio para esse livre fluxo de pensamentos, que passará a ser um exercício, explorando rostos/expressões, tentando captar daquelas pessoas algo que pudesse me nortear... Impacientes, anónimas.. Cada qual com suas histórias... Eu e elas no mesmo barco!

Lembrei que nas primeiras consultas uma moça bem humilde, que segundo ela, estaria ali pra aplicação de uma vacina sentará ao meu lado.. Ela puxou conversa, eu de cabeça e olhar baixo... Ela entre umas e outras perguntou o que eu fazia ali...Eu num lapso impulso respondi: tenho HIV.
Pensei em seguida que ali encerraria-se nosso papo.. Ela por sua vez, e seu jeito simples de expressar proferiu a seguinte frase: A VIDA SEGUE PRA FRENTE! ...foi chamada pela enfermeira e me desejou sorte e que tudo ia dar certo pra mim...

Três anos e meio entre idas e vindas ao médico, ainda exercito minha analise das pessoas que ali estão... Oras vejo cenas mais assustadoras, pessoas debilitadas, magras, outras nem tanto.. Também garotos atraentes, cheios de estilo e sex appel.. Mulheres num ritmo cada vez mais frequentes, senhoras e senhores de certa idade também mostrando o tal lado cronico do HIV, sem tanto alarde e estigmas...

O friozin e expectativas a cada resultado de exames fazem parte também dessas idas e vindas.. A cada bom resultado aquela sensação de VIDA fervilhando frente ao vírus, alegria quase sempre tão contidas...

Talvez um dia me acostume... Não tornando dessas idas e vindas tantas análises de caso (o meu próprio)...


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