quinta-feira, 21 de julho de 2011

Quando éramos IMORTAIS...


Chega o passado com o q vivi e o q fui quente e morno, doce e prometedor da eternidade. Sem o futuro que hoje se torna presente, onde tudo parece longe e as vezes fora de alcance. Sinto saudades do futuro, antes idealizado.. Tenho lido outros blogs, onde outros portadores relatam seus medos, dilemas e dia-a-dia nessa conHIVivencia. Por mais particulares que sejam os autores, somos diferentes dos outros e iguais a nós mesmos. A AIDS quebra a idéia de imortalidade que todos julgavámos ser.
Nunca gostei de livros de auto-ajuda, pq neles a visão em geral é tão simplista em suas frases feitas. Entre teorias e teorias a prática é bem outra.
Fato é que ninguém se pega refletindo quase que diariamente sobre o fio frágil que é nossa existência. A mídia até noticiou que acidentes de transito e a violência urbana tem vitimado bem mais jovens se comparado hoje aos índices da AIDS no Brasil, graças o que chamam de “sobrevida” pelo uso dos retrovirais.
No entanto, não vejo ninguém ao pegar a estrada em seu carro ou caminhando pelas movimentadas esquinas de suas cidades pensando no que pode lhes acontecer.
Cazuza bem disse: Os ignorantes são mais felizes... Eles não sabem quando vão morrer, eu não.
Eu sei que eu tenho um encontro marcado. As pessoas esquecem o que precisam fazer.
Eu não posso me dar esse luxo...

Somos obrigados a ter certos limites, a tomarmos uma consciência acerca de nossa existência quando na realidade gostaríamos de seguir livres pelos caminhos que escolhemos.
Às vezes me pergunto pra que insistir nessa dor, mas logo entendo que ela vem e pronto... Oras vejo um lindo horizonte que ainda resta.. E me chama a enfrentá-lo...

Consigo me lembrar de como era antes, antes de tudo, antes de cair nesse mar inquietante de questionamentos, mais acredito que era algo muito melhor.
Às vezes um ser perdido, vago, distante, se deixando levar. Oras um apaixonado pela vida, me posicionando ao atalho que peguei errado e recomeçando a busca pela melhor saída.

Um ser imperfeito, com pecados como qualquer outro, sentindo dor e derramando lágrimas por motivos banais aos olhos dos outros e sensíveis aos meus.

"Os ignorantes são mais felizes"... E, penso que de fato seria mais simples e menos ardoroso viver como eles, vendo somente o que os olhos podem materialmente enxergar.


Descobri que o que nos faz diferente dos outros é a força em recomeçar, a capacidade de renascimento, com os espinhos que ficaram soltos no chão e os mistérios que restaram presos no ar.

3 comentários:

  1. Gostei muito da forma como escreve... É meu caro! A vida é incalculavelmente intrigante... Julgava-me sensível... Mas, hoje, pós HIV, percebo que minha sensibilidade, talvez, não passasse de sensações pré fabricadas, sem querer desmerecer as minhas impressões de mundo anteriores. Acho que o HIV nos torna "demasiado humanos"... Nossas percepções são alteradas na marra, como se nossa carne fosse rasgada por esse vírus, expostas, nos obrigando a enxergar o que há realmente dentro de nós... E o mundo se tornasse mais real. Como se a vida, o destino, Deus... Sem querer questionar crenças pessoais, nos apontasse... VOCÊ! Um castigo? Uma bênção? Isso descobrimos no tempo certo. Só sinto que, de alguma forma, ganhamos uma percepção diferente da vida, cada qual com suas impressões, mas, inegavelmente alteradas. Não me refiro à bondade ou maldade, essas, sempre fizeram e farão parte, em maior ou menor intensidade. Também não digo que tenhamos nos tornado seres melhores ou especiais... A única certeza que tenho é de que esse vírus alterou algo aqui dentro. Tornou-me mais lúcido... Após dois anos e meio, ainda tenho meus momentos... E garanto que são muitos! Mas acho que o HIV me mostra, a cada dia, que a vida é especial demais para ser ignorada.
    Forte abraço e cuide-se.

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  2. Excelente Post Mu! Nossa Eros... pegou pesado com "sensações pré-fabricadas". Concordo plenamente com as palavras de ambos. Mutação constante. Lindas palavras!

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  3. "Nos torna demasiado humanos"... vc disse tudo. Cada vez que visito o Eros de Vênus e o Alguém por aí.. é como se de alguma forma eu me sentisse amparado, menos solitário. Pois diversas vsz vcs relatam aquele pensamento mais intimo que tenho olhando o céu da janela do meu quarto. São tantas novas percepções, medos, mudanças que as vsz dá certa saudade de qdo não eramos mutantes pelo h... Essa mesma mutação nos dá ainda como vc bem disse a certeza de que a vida é especial demais pra ser ignorada. vlw!

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