terça-feira, 19 de julho de 2011

Pós (traumático) diagnóstico

Era dia 17/12/2007, quando recebi o exame confirmatório da minha nova sorologia. Por coincidência, eu estava de viagem marcada já para dia 18/12.
Até então uma viagem de férias a praia, onde re-econtraria meus pais, familia e amigos de infância e passaria a temática data natalina e o ano novo, onde se costuma fazer votos pro ano seguinte, cheio de esperanças e pensamentos positivos. E eu estava (+) pelo vírus e negativo diante da vida... rsrs

Morando longe de casa e da família há mais de 05 anos, aquela seria a viagem de alegrias, no entanto, aquele traumático dia 17/12 ainda me assombrava e me dava incertezas sobre o que estava por vir.
Aquele momento, aquela viagem... Impulsionado pela recém descoberta passou a ser em meus pensamentos: a última viagem.

Lembro da tristeza com a qual arrumava as malas para ir a praia, levando aquele papelzinho (exame) que  parecia pesar toda a minha vida. Era tantas as incertezas, até por conta da perda de duas grandes pessoas para a Aids, que eu pensava estar com os dias contados.

Viajei e pensamentos dos mais diversos permeavam minha cabeça, desde desejar a queda do avião a me afogar no mar das belas praias da minha cidade natal.. rsrs
Sim até isso me passará pela cabeça. Pensava ser um forma rápida de aliviar o que estaria por vir e ainda ter uma morte menos impactante aos olhos do outros a morrer vitima da Aids.

Foram dias triste, acho que ganharia um oscar pela atuação, estando arrassado internamente e com sorriso no rosto, abraçando e vivenciando aquele clima natalino e cheio de festejos para o reveillon.
Sendo filho único, vendo meus pais realizem planos sobre meu futuro, e as pessoas me perguntando quando eu voltaria pra cidade, já que havia terminado a faculdade, já não havia mais motivos pra continuar morando em outra cidade...

Por fim, resolvi escrever sobre esse pós traumático por entender que muitos passam por tais dilemas ao receber o diagnóstico. Afinal o temor da doença causa um impacto emocional/psicológico que nos tira o chão, e por mais racional que sejamos, nos faz perder por alguns momentos a idéia do "amanhã".

Passado os dias de férias, e um belissimo e emocionante reveillon com direito a espetacular queima de fogos na praia, e muito choro (alias, vou a primeira vez que chorava até então diante de tudo aquilo). Lembro até de um amigo que estava junto comigo e ficou chorando tbm por me ver chorar daquela forma tão consistente...Teve até um grupo de pessoas que nunca nem vi na vida, que vieram me abraçar e diziam que de fato era muito emocionante mesmo aquele reveillon e tal... rsrs
A vida passava como filme ali naqueles instantes.

E terminado os dias de férias, era hora de voltar e encarar os fatos, e o avião não caiu (como ainda queria e torcia,rsrs) chegava em casa e decidia buscar ajuda e informações sobre como seria conHIVer.

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